Multiculturalismo liberal: fim do caminho. E agora?

Carlos Manuel Cardoso

Resumo


Nos últimos anos, em diversos países ocidentais, a multiculturalidade tem estado cada vez mais afastada dos discursos políticos e, em alguns casos, é neles hostilizada através de mensagens de teor xenofóbico. Factos como estes são reveladores de um processo de fragilização das políticas para a promoção da igualdade cultural, étnica e racial. Este recuo multicultural ocorre em contradição com algumas evidências: a diversidade é uma característica definitiva, crescente e indispensável nas nossas sociedades; as condições dos imigrantes e dos refugiados, a par com situações de xenofobia e racismo, têm vindo a agravar-se. O recuo do compromisso político-institucional face às condições daqueles grupos e de outras minorias étnico-culturais, é o pressuposto deste artigo. Nele, procuramos enumerar, reflectir e discutir alguns aspectos geradores da actual situação das políticas multiculturais. Não se trata de defender a continuidade do multiculturalismo liberal como o temos conhecido, mas sim a necessidade de reconfigurar e relançar novos compromissos institucionais para a inclusão cultural, étnica e racial. Para isso, adquirem particular importância os diferentes, mas convergentes, contributos da investigação, da educação, dos movimentos sociais em favor dos direitos humanos e dos media.

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